Transparência
Plano de Ação Climática
2026 – 2028
Nosso compromisso com a meta de 1,5 °C e o caminho que percorreremos para fazer a nossa parte.
Sumário
1. Apresentação
A crise climática é, antes de tudo, uma crise de cuidado. E cuidado é a raiz da palavra que dá nome à nossa empresa: Daya (दया), termo sânscrito que designa a compaixão ativa por todos os seres. Este plano é a tradução prática desse cuidado para o tema do clima, uma área em que cada décimo de grau de aquecimento global corresponde a milhões de vidas, ecossistemas e meios de subsistência em risco.
Este documento estabelece o caminho que a Daya vai percorrer entre 2026 e 2028 para fazer a sua parte na contenção do aquecimento global, organizando metas, recursos, governança e diálogo com nossas partes interessadas. Reconhecemos que somos uma empresa pequena, jovem e operando 100% de forma remota, mas reconhecemos também que esse perfil traz responsabilidades específicas: nossa influência se exerce menos pelas nossas emissões absolutas e mais pelo produto que oferecemos, pela cadeia digital que contratamos e pela cultura que ajudamos a difundir entre nossos clientes.
Este é um documento vivo. Ele será revisado, no mínimo, anualmente, para que continue refletindo a melhor ciência disponível, as expectativas de nossas partes interessadas e o estágio de maturidade da Daya.
2. Nosso compromisso com a meta de 1,5 °C
A Daya apoia expressamente a ambição global de limitar o aquecimento médio do planeta a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, conforme estabelecido pelo Acordo de Paris (2015) e reafirmado pela ciência sintetizada nos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Esse compromisso significa, em termos práticos, que a Daya:
Reconhece a urgência de cortar pela metade as emissões globais de gases de efeito estufa até 2030 e de alcançar emissões líquidas zero até, no mais tardar, 2050.
Compromete-se a alinhar suas próprias decisões, de produto, de operação, de cadeia de fornecimento e de cultura, com essa trajetória.
Reprova práticas que desviem ou retardem essa ambição, como a dependência exclusiva de compensações sem ações reais de redução, a comunicação enganosa de neutralidade ("greenwashing") ou a manutenção de relações comerciais com cadeias notoriamente incompatíveis com a transição.
Compromete-se a aprender e aprofundar este plano à medida que evoluímos como organização e que a ciência climática avança.
A meta de 1,5 °C orienta este plano como um norte: cada pilar, cada decisão de alocação de recurso e cada diálogo com partes interessadas é examinado, primeiro, à luz da pergunta "isso nos aproxima ou nos afasta de uma trajetória compatível com 1,5 °C?"
3. Contexto material
À primeira vista, uma empresa de software com time enxuto e sem escritório físico tem uma pegada de carbono modesta. Em termos absolutos, isso é verdade. Mas reduzir nossa responsabilidade climática a esse número direto seria um erro estratégico e ético, por três motivos:
Cadeia digital invisível
Nossa operação depende de uma infraestrutura de cloud, dispositivos eletrônicos, redes de comunicação e ferramentas de terceiros. Cada uma dessas camadas tem uma pegada, e ela cresce à medida que crescemos.
Influência via produto
A Daya entrega aos seus clientes uma plataforma que organiza iniciativas socioambientais e mensura impacto positivo, incluindo redução de emissões. Cada decisão que tomamos sobre o produto repercute, em escala, no comportamento de diversas empresas e participantes.
Coerência cultural
Não é possível oferecer ao mercado uma plataforma de propósito corporativo e tratar a própria pauta climática com leveza. Nossa credibilidade depende de habitar, na nossa operação, a coerência que pedimos dos nossos clientes.
Por essas razões, este plano é, ao mesmo tempo, modesto em escala e ambicioso em coerência: não pretende mover toneladas absolutas de carbono no curto prazo, mas pretende construir, desde o início, uma cultura, uma cadeia digital e um produto que ajudem o ecossistema a se mover na direção de 1,5 °C.
4. Pilares estratégicos e Metas SMART
Nosso Plano de Ação Climática está organizado em cinco pilares, cada um com metas SMART (específicas, mensuráveis, atingíveis, relevantes e com prazo definido).
Nossas metas não se restringem à redução de emissões de GEE. Elas incluem objetivos de desempenho operacional, capacidade interna, qualidade de produto, engajamento de cadeia e influência sistêmica, combinações que tornam o plano executável por uma empresa do nosso porte e maximizam impacto sistêmico.
| # | Meta | Indicador | Prazo |
|---|---|---|---|
| 1.1 | Concluir o primeiro inventário de emissões de GEE da Daya, contemplando os Escopos 1, 2 e 3 (com foco material em viagens, hospedagem cloud, dispositivos e cadeia de fornecedores), seguindo a metodologia GHG Protocol. | Inventário concluído e publicado em https://daya.social, com nota técnica metodológica. | 31/12/2026 (publicação até 31/03/2027) |
| 1.2 | Capacitar 100% da equipe permanente da Daya em literacy climática básica, por meio de curso reconhecido. | 100% de colaboradores com certificado de conclusão. | 31/12/2026 |
| # | Meta | Indicador | Prazo |
|---|---|---|---|
| 2.1 | Aprovar e aplicar política formal de aquisição de equipamentos com critérios climáticos: preferência por seminovos/recondicionados, durabilidade mínima alvo de 5 anos e programa de descarte/reuso responsável. | % de aquisições conforme política, registradas em planilha de bens. | 31/12/2027 |
| 2.2 | Divulgar internamente guia de "Home Office Sustentável Daya", com orientações práticas (eficiência energética, escolha de fornecedora de energia, hábitos digitais sóbrios, descarte de eletrônicos). | Guia criado e divulgado internamente com todo o time da Daya. | Guia divulgado até 31/03/2027 |
| # | Meta | Indicador | Prazo |
|---|---|---|---|
| 3.1 | Mapear e avaliar 100% dos fornecedores estratégicos (definidos como aqueles que respondem por mais de 5% do gasto anual ou por serviço crítico para a operação) em maturidade climática. | % de fornecedores estratégicos avaliados. | 31/12/2026 |
| 3.2 | Iniciar diálogo climático estruturado com pelo menos 80% dos fornecedores estratégicos, oferecendo conteúdo, sugerindo trajetórias de melhoria e escutando ativamente seus desafios. | % de fornecedores estratégicos com pelo menos uma reunião de diálogo climático registrada. | 31/12/2027 |
| # | Meta | Indicador | Prazo |
|---|---|---|---|
| 4.1 | Disponibilizar biblioteca aberta de pelo menos 10 conteúdos educativos sobre ação climática corporativa (artigos, materiais ricos, vídeos curtos), publicados na seção Recursos do site. | Quantidade de conteúdos publicados. | 31/06/2027 |
| 4.2 | Apoiar 100% dos clientes ativos a implementarem pelo menos uma iniciativa climática mensurável durante o seu primeiro ano de uso da plataforma, por meio de templates, jornadas guiadas e suporte direto. | % de clientes que registraram ao menos uma iniciativa climática no primeiro ano. | A partir de 01/01/2028 |
| # | Meta | Indicador | Prazo |
|---|---|---|---|
| 5.1 | Participar ativamente de pelo menos 4 fóruns ou eventos do ecossistema climático brasileiro por ano (ex.: Sistema B, Pacto Global, MEC, GHG Protocol Brasil, ABRAPS, entre outros). | Quantidade de eventos com participação registrada. | A partir de 2026 |
| 5.2 | Aderir formalmente a pelo menos uma iniciativa climática multi-empresa relevante (ex.: SBTi, Race to Zero, Pacto Global Brasil/Ambição Climática, Movimento Empresas pelo Clima/MEC). | Adesão formalizada e divulgada. | 31/12/2027 |
5. Governança climática e alocação de recursos
A execução deste plano não acontece sem que tempo da equipe, recursos técnicos e materiais sejam expressamente reservados para ele.
5.1 Estrutura de governança climática
Patrocinador executivo (Climate Sponsor) e órgão máximo de governança: o CEO da Daya é o responsável final pela execução deste plano e exerce, na empresa, a função de órgão máximo de governança. Cabe a essa pessoa garantir que o plano seja levado a cada decisão estratégica relevante, aprovar formalmente o plano e suas revisões, e representar a empresa em fóruns climáticos.
Comitê de Impacto e Clima: dada a natureza enxuta da empresa, o comitê é composto pela liderança de cada equipe da Daya, reunindo-se trimestralmente em encontro de 60 minutos, com pauta dedicada exclusivamente ao monitoramento dos pilares deste plano.
Contato externo (contato@daya.social): canal único para que as partes interessadas se manifestem sobre o plano.
5.2 Recursos Humanos
| Função | Responsabilidades-chave |
|---|---|
| CEO / Patrocinador Executivo | Liderança e aprovação do plano, representação externa, decisões estratégicas, revisão anual. |
| Demais membros da equipe | Execução das metas vinculadas à sua área, participação em cursos e eventos, capacitação, diálogo com fornecedores e clientes. |
| Apoio externo | Suporte ao primeiro inventário GEE, revisão metodológica, eventual auditoria. |
5.3 Recursos técnicos
Ferramenta de inventário GEE: será adotada uma ferramenta reconhecida no mercado. A escolha será registrada na primeira revisão anual do plano.
Plataforma Daya: toda evolução do produto relacionada à pauta climática será primeiro testada na nossa própria operação antes de chegar aos clientes.
Repositório documental: todas as evidências de ações alinhadas ao plano ficam organizadas em pasta interna dedicada.
5.4 Recursos materiais
A Daya reserva, no orçamento anual, uma parcela específica para implementação deste Plano, destinada a:
Cursos e certificações para a equipe;
Licenças de sistemas;
Inscrições e deslocamentos para eventos do ecossistema;
Consultorias pontuais;
Eventual neutralização de emissões residuais via créditos de carbono de alta integridade (para emissões que não puderem ser evitadas ou reduzidas).
6. Engajamento e diálogo com partes interessadas
A elaboração e a execução deste plano são, e continuarão sendo, alimentadas pela escuta de nossas partes interessadas. Reconhecemos que a Daya não tem, sozinha, todas as respostas: a inteligência climática vive no diálogo e na cooperação.
6.1 Mapa de partes interessadas e como nos relacionamos com elas
| Parte interessada | Forma de engajamento | Periodicidade | Como suas contribuições retornam ao plano |
|---|---|---|---|
| Equipe interna | Encontros de revisão estratégica, microlearning, retrospectivas. | Contínua | Pauta direta no Comitê de Impacto e Clima; ajustes de meta podem ser propostos a cada revisão anual. |
| Clientes | Discovery no onboarding; possibilidade de engajar colaboradores em iniciativas que evitam a emissão de carbono, como caronas solidárias; sessões "Conversas Abertas" para discutir roadmap. | Contínua | Insights agregados são levados ao Comitê e ao Patrocinador Executivo, podendo gerar novos itens no roadmap do produto. |
| Organizações sociais parceiras | Reuniões de alinhamento, co-criação de conteúdo educativo, mapeamento conjunto de necessidades de capacitação. | Contínua | ONGs que atuam em causas ambientais são consultadas para apoiar a criação de conteúdos educativos e participam da priorização de temas, contribuindo com sua expertise. |
| Fornecedores | Questionário anual de maturidade climática; diálogos individuais com pelo menos 80% deles até 2027. | Anual e bilateral. | Os fornecedores ajudam a calibrar metas factíveis e cronogramas; respostas alimentam a base do nosso Escopo 3. |
| Sociedade civil e público em geral | Publicação aberta desse plano, do progresso anual e dos conteúdos educativos; canal aberto em contato@daya.social. | Anual (plano) e contínua (conteúdos e canal). | Toda manifestação relevante recebida pelo canal é triada e levada ao Comitê. |
6.2 Compromisso de incorporar contribuições
Cada revisão anual deste plano trará uma seção intitulada "O que ouvimos e o que mudou?", na qual a Daya descreverá quais contribuições de partes interessadas foram acolhidas no ciclo, quais não foram (e por quê), e quais ficaram em aberto para o ciclo seguinte. Esse mecanismo garante que o engajamento seja mais do que uma escuta protocolar: que ele de fato influencie decisões.
7. Monitoramento, transparência e revisão
7.1 Cadência de monitoramento
Trimestral: Comitê de Impacto e Clima revisa o avanço de cada meta SMART, identifica desvios e propõe correções de rota.
Anual: o CEO conduz a revisão formal do plano, com poder de aprovar ajustes, novas metas e mudanças no orçamento.
A cada três anos (a partir de 2029): revisão estrutural completa, com possível atualização de horizonte do plano.
7.2 Transparência pública
O plano integral é de acesso público e gratuito, sem necessidade de cadastro.
O progresso de cada meta, os desvios identificados e os planos de correção são atualizados uma vez ao ano.
7.3 O que faremos quando não conseguirmos cumprir uma meta?
Caso não consigamos cumprir com uma das metas estabelecidas na seção 4, comprometemo-nos a:
Reconhecer publicamente o desvio na atualização anual;
Explicar a causa-raiz com honestidade e transparência;
Apresentar plano de correção ou repactuação da meta com novo prazo;
Submeter a repactuação à aprovação do órgão máximo de governança na revisão anual seguinte.
8. Aprovação pelo órgão máximo de governança
Este Plano de Ação Climática foi formalmente aprovado pelo CEO da Daya, na qualidade de órgão máximo de governança da empresa, em Janeiro de 2026. Suas próximas revisões obrigatórias ocorrerão no início de 2027 e de 2028.
9. Glossário e referências
| Termo | Definição |
|---|---|
| Acordo de Paris (2015) | Tratado internacional sob a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que estabelece o objetivo de manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2 °C, com esforços para limitá-lo a 1,5 °C. |
| Escopos 1, 2 e 3 | Escopo 1 = emissões diretas; Escopo 2 = emissões indiretas associadas a energia comprada; Escopo 3 = demais emissões indiretas da cadeia de valor. |
| GEE | Sigla para Gases de Efeito Estufa, que são gases presentes na atmosfera capazes de reter calor e contribuir para o aquecimento global. No contexto de um Plano de Ação Climática, o termo é usado para se referir às emissões geradas direta ou indiretamente pelas atividades da organização, como consumo de energia, deslocamentos, uso de insumos, operações e cadeia de valor. |
| GHG Protocol | Padrão internacional mais utilizado para inventários de emissões corporativas. No Brasil, operacionalizado pelo Programa Brasileiro GHG Protocol (FGV/EAESP). |
| IPCC | Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, principal corpo científico da ONU sobre o tema. |
| SBTi | Science Based Targets initiative, iniciativa que valida metas climáticas corporativas alinhadas à ciência. |
| SMART | Acrônimo para metas Específicas, Mensuráveis, Atingíveis, Relevantes e com prazo (Time-bound). |
Dúvidas, críticas e sugestões: contato@daya.social